09/02/2012

Nem molares nem pré-molares - uma história triste da Bahia

A Bahia é violenta. Demais. Há tempos acompanho sites de notícias do interior desse estado, o crack se alastrou junto com a facções daqui do Rio de Janeiro e ano passado o governo baiano lançou até o baralho do crime. O polo de Camaçari, ampliado por Antônio Carlos Magalhães, é envolto por gravíssimos problemas sociais que resultam em muito conflito como todo lugar que recebe industrialização. Por motivos aleatórios, tenho "interesse" nesse ambiente do jornalismo policial baiano. Porém, nunca pensei que tão perto de mim poderia haver uma história como a do Rafael, leitor do meu blog há mais de cinco anos. O Rafael é cheio de histórias escatológicas dos lugares onde viveu na Bahia: antes Ilheus e, agora, Camaçari. Rafa foi agredido severamente há cerca de dois meses e ele conta tudo no texto abaixo.




Triste Bahia





Nem Molares, nem pré-molares

Por Rafael Coelho



Foram três semanas inteiras internado no hospital levando uma vida negligente e tediosa à espera de uma cirurgia bucomaxilocraniofacial.
Assim, fui brutalmente espancado e terrificado por um sujeito que eu eu prefiro chamar de lata de lixo fedorento transbordante de porcaria junto com seu acólito malvado e inimigo da tranquilidade, um chupista nojento que nada tem de respeitável.
Não tive a malicia de sacar as camadas mais profundas que envolve o coração humano, e como quem atrai encrenca com a própria respiração, me servir de alvo para maldade e fui arrassado por um sujeito cujo os hábitos fariam vomitar um porco.

Não vou agora me deter a detalhes, só atento ao fato de que - independente do peso dos corpos e da dimensão de minha ignorancia para perigos iminentes - fui aviltado de forma completamente vil e covarde: O biltre sem perder tempo em circunlóquios deferiu um uppercut de direita mais um uppercut de esquerda, de modo que o meu maxilar tombou por terra.
Depois tudo ficou por conta das pauladas...
Quando voltei a mim estava estirado numa cama de hospital e daí por diante me afundei cada vez mais.

Conheci maus dias, efetivamente. Os primeiros dias foram pavorosos, o meu rosto inchou de tal modo que ficou quadrado, assim como uma caixa de sapatos.
Senti dores de minuto a minuto, desde o nascer do sol até o ocaso. Além das dores, me sentia tão mão que muitas vezes tive vontade de morrer.

Em virtude dos meus fracassos minha alma se encontrou exasperada e afundada em autocomisseração total por vários dias a fio, me sentia mais um numero para o time daquelas pessoas tristes que deploram todas as coisas. Meu estado de depressão era de tal ordem que muitas vezes tive ganas de cortar a minha própria garganta. Havia as limitações, o medo de ir dormir, os pesadelos depois de pesadelos e a solidão. Qualquer coisa diminuta e aparentemente sem importancia me deixava colérico, tudo culpa dos meus nervos trepidantes que parecia saltar pela pele afora, o estado liquido dos alimentos engana mas não aplaca minha fome, ficar sem comer deixa meus nervos elevados até a ultima potência de tensão, tudo começa com uma chispa de irritação até se transformar em cólera pura e legitima. E eu, infelizmente, não sou o tipo de pessoa que se acalma contando até dez.


Ja me sentia familiarizado com o tédio, rosnava para quem quissesse escutar: MAIS UM MINUTO NESSE HOSPITAL E EU VIRO A PORRA DE ANACORETA!
E os minutos viraram dias e os dias semanas, era como se eu fosse uma fagulha de astro caída sobre a Terra e escondida em lugar inacessivel, era como ser forçado a uma estruturação de um espirito perfeito e inquebrantável. Seja lá como for, para um espirito como o meu, ao fim e ao cabo, descobri que podia suportar mais do que realmente posso.
Todos esses dias de reclusão absoluta me apresentou - emetindo sinais - o fundamento da verdade de forma curiosamente contraria: foi como se eu passasse do claro para o escuro.
Suponhamos que exista duas pistas: complicar-se com relacionamentos ou simplificar a vida se isolando socialmente? A resposta me veio a galope posto que foi essencial para minha recuperação que meus amigos me considerassem importante e me fizessem visitas e me trouxessem livros e drágeas de bálsamos contrabandiados.
 
Com o tempo fui aceitando minha condição, o que se podia fazer?
Convem dar descanço a alma e uma paz ao rosto que atue como elemento restaurador.
Mas os dias de reclusão não foram só "corpo são, mente sã", os dias foram obliquos também, porque ao mesmo passo que fui forçado a cultivar meu espirito a se dedicar a uma vida lícita e tranquila, não podia ignorar o implacável ódio que declaro aos meus algozes, esses iniquos de coração não quebraram apenas a minha carantonha, mas me privaram do Prazer, o que para uma alma epicurista como a minha é algo absolutamente imperdoável.
O ódio que eu sinto por esses vermes condenados ao extermínio é exposto tão abertamente que eu poderia segura-lo com as proprias mãos. Eu ambiciono a ruína deles!
(eles estão respondendo ao processo, etc)

No mais, estou tentando ficar longe das pessoas, estou até mesmo evitando de falar com elas. Não há uma emoção  indentificavel dentro de mim, a não ser possivelmente, o niilismo e uma indizivel sensação de que a violência permeia nossas vidas, de que somos parte integrantes e muitas vezes espectadores inocentes de uma sociedade onde bárbarie e civilização convivem lado a lado, de modo que o homem segue sendo o lobo do homem.
Enfim, que a sorte nos permita e ela me permitiu mais uma vez estar entre as estatisticas dos vivos.
O melhor é mesmo o menos mau.

26/01/2012

Ordenhando a esperança – um recado de amor aos blogs de comportamento

 vacas são seres maternais


Há peculiaridades encantadoras na internet, várias. Todas me encantam, sou uma pessoa muito encantada, devem ter colocado LSD nos três tubos de soro que tomei quando tive um forte desarranjo no verão de 2007 em Arraial do Cabo – naquele delírio todo tenho certeza de que fui atendida por uma médica travesti com sotaque espanhol, deveria ser cubana, não posso provar, é surreal demais, ainda tenho dúvidas. Mas, deixa pra lá, ando mesmo deslumbrada com as questões da vaidade sobre os textos de um ou outro blog e ainda mais apaixonada por estudar a reação de quem os escreveu diante das críticas ou "xingamentos"como os corações doloridos desses escritores preferem acreditar.

Esquece o parágrafo acima (por favor)

Posso entender que é duro: preparar um texto, ter ideias – há controvérsias – corrigir o troço todo e depois aguentar um ou outro gaiato dizendo que não está bom, que é medíocre etc. etc. etc. Uma injustiça quase sempre precedida do “você fala mal mas não faz, quem faz sou eu”. Para esse argumento, acredito que seja válido dizer que muitas pessoas podem preferir se resguardar ao invés de distribuir o chamado “rebosteio”.
Desenvolvi uma teoria na minha humilde inteligência de cão labrador – por favor, quando você se lembrar de mim, lembre-se do cão Marley e sorria – , baseada nas minhas experiências com vendedores de loja.

Teoria da Segurança pela Pasteurização

“Hummm essa camisa é bonita, né?”

“É sim, sra, tem saído muito, está todo mundo comprando!”

Na cabeça da vendedora me sentiria mais tranquila em comprar uma peça que vários clientes adquiriram porque assim estaria certa de não estar sendo ridícula e ainda, totalmente inserida na moda ou qualquer coisa que o valha. Bem, no meu caso, não tenho problemas em ser ridícula, é mais fácil do que viver aparando todas as minhas derrapadas. Doravante – sempre quis usar isso – , posso minimanente compreender o motivo da repetição de clichês e lugares comuns – que nem servem para ser preconceituosos, são apenas muito palermas  –  agradar a alguns tantos blogueiros.  

Aqui vão dois exemplos;

“Homens jamais serão amigos de mulheres, em nenhuma circunstância. Na verdade nem as mulheres são amigas delas mesmas, mas isso é assunto pra outro texto posteriormente.”

“Sinais que podem indicar que ela curte mulher: 5. Se ela não demonstra ser preconceituosa;”

Em algum momento da história foi necessário segregar os gêneros e oferecer conteúdos distintos, infelizmente. Mas, amigo, isso ACABOU, é sério! Tento entender porquê alguns escritores – se escreve, é escritor, independente do conteúdo -  insistem no reforço "do que pertence aos homens e do que pertence às mulheres". Penso em sites de comportamento – embora eu não curta porque há muita cagação de regra –  falando pra gente de todo tipo já que atualmente homens e mulheres podem expressar-se de forma equivalente. Tanta pasteurização pode ser o resultado da certeza de que aquele texto, foto, vídeo, vai com agradar porque já agradou antes – entendes? E se alguém vier dizer “você não é o target”. Então...coitado do target.

Não me ofenda, não me xingue

As reações às críticas são surpreendentes: estão relacionadas aos grandes embates pessoais com direito à vingança, ataques ao emprego do crítico, carteirada envolvendo a polícia federal, palavras como “ódio”, “recalque”, além das gírias bobocas “hater”, “troll” e sei lá quais outras que orgulhosamente desconheço. Não existe maciez nem ao dizer “o seu texto está péssimo, é um entabulado de clichês” e muito menos ao receber algo desse tipo. Quando você publica, você está exposto: o que você escreve representa diretamente o que você é e qual o seu posicionamento diante do assunto supracitado. Eu penso que se há segurança no que se diz, não há reações extremadas diante dos críticos. E outra, veja que legal, seu espaço na internet é realmente SEU, você pode moderar os comentários, deletar, esquecer, retrucar mas não precisa odiar.

Antes: textos ruins não querem dizer falta de capacidade, gosto de pensar em “receio”. Sou uma pessoa encantada e patinadora da esperança (me supera nessa, Paulo Coelho). Minha vontade é abraçar o sujeito e dizer: tudo bem, cara, você pode soltar suas referências e testar a originalidade, você consegue, estou aqui torcendo por você!
Ps. os trechos extraídos dos blogs estão nesses posts esse aqui  e esse aqui

Agora, o posicionamento do meu amigo Thiago Schwartz, o Perereco

Acabo de ler o texto sobre “friendzone”, e – com exceção de algumas partes definitivamente curtas – não vi nada de novo na abordagem, apenas os mesmos tópicos e mesmos argumentos que a gente vê nos 9gags e blogs de memes da vida (minha mente não conseguia dissociar o texto daquele meme “fuck yea” durante a leitura – e isso não é um elogio).

Uma espécie de “auto-ajuda de macho”, do tipo “vai lá e come todo mundo, você é um caçador e as mina é as caça rs”. Frases como “Homem não tem amiga” e “nem mulher é amiga de mulher” ajudam a ter uma visão geral sobre o ponto de vista do autor, afinal esta é uma selva, mulher só serve pra ser comida e todo ser humano com pinto é um adversário em potencial neste safari de caça que é a vida.
Mas se no final das contas esse for o papo que você tem no bar com seus amigos, beleza. Aliás, é um belo tópico praquele “esquenta” antes da balada, onde os machos da espécie Homo Stellum Artois fazem as apostas de quem pega mais.


P.S.: Friendzone é uma desculpa feminina pra não dar pra gente feia/sem graça/babaca. Se você está nessa situação, deixe de ser um (ou mais) desses três e tente novamente. Ou mude de “presa”.

04/10/2011

Pequenas histórias de superação às dificuldades infantis contadas pelos meus amigos da Rede Mundial de Computadores


Diga não ao bullying mas antes ensine essas dicas para as crianças se protegerem desse grande mal da humanidade.




coloquei minha foto porque não havia nenhuma outra só pra ilustrar okok


@adrianoserran - lição - > distribua ou ninguém tem



"Na escola tinha uns boy lá e eu sempre fui fudido, beleza, nisso o cara ganhou um caminhão lá e eu só queria dar uma olhada, tinha uns 6 anos, era o pré, acho que hoje nem existe isso né? Beleza, só pedi na boa, o cara foi escrotão 'NÃO É MEU VC NÃO TEM' típico dessa gente. ah mano, quando cara falou nesse tom peguei a porra do caminhão dele e pulei em cima, quando terminei de quebrar falei pra ele 'agora ninguém tem'."


@ma_b - Lição -> amizade é segurança

"Na 3a série uma menina dava tapa na minha cara toda vez que me via, ai um dia eu fiz amizade com uma que tinha repetido 3x ela era maior. Aí quando essa deu um tapa, essa grande desmontou ela. Não mexeu mais comigo. Desde então só faço amizade com pessoas altas."


@kirp - Lição -> nunca fique sozinho


"Uma vez eu tava sozinho no meu canto comendo um Sonho de Valsa chegou um menino jogou meu Sonho de Valsa no chão e foi embora"

@ibere - Lição -> não seja o bombom Caribe (sempre o último da caixa)


"Eu sempre fui um mlk bem tontão desses que joga bola de gude no tapete da casa da vó, aí na quinta série minha mãe me tirou do colégio de freira e me colocou no colégio estadual pra ver se eu deixava de ser tonto (infelizmente nunca deixei de ser). 

Quando chegou no final do ano, teve aquele lance de Amigo Secreto e basicamente todo mundo só trocou caixas de bombons (eu dei uma caixa Especialidades Nestlé e ganhei uma caixa de bombons Garoto, que merda). Aí todo mundo era malandro e já guardou a caixa na mochila antes de ir embora. Eu, que não saquei o que estava por acontecer, fui embora levando a caixa na mão. Claro, chegou na saída os pobres esformeados me cercaram e começaram "que que vc tem aí? dá um bombom? só um!" e foi juntando gente e juntando gente e aí me atacaram, rasgaram a caixa de bombom e pegaram tudo."

Eu ainda consegui salvar um bombom Caribe. :-("

@zambinos - Lição ->  seja sempre mais louco que todos

"Eu ficava nervoso com essas coisas, não sabia o que fazer e jogava meu próprio sonho de valsa no chão, pisava em cima e saía gritando, correndo em círculos com os braços pra cima e as pessoas ficavam "?!""

@r0cc0 - Lição ->  respeite a cadeia alimentar

"Onde eu estudava rolava aquela porra de cadeia alimentar, o menor apanhava do maior, só que a cadeia mais baixa era protegida pela cadeia mais alta.Eu ficava na parte do meio, aí eu batia e apanhava. Teve um cara, o Ronaldo, que por sinal eu estudei com ele de novo antes da faculdade, o cara era um mala e tudo mais cheio dessa de tenho e você não. Aí um dia eu fui e bati nele e só parei quando ele deu dinheiro. Eu nem tinha pedido, mas ele sempre ficava me dando dinheiro, acho que ele curtia homenagear filmes americanos.Aí eu todo felizão ia no intervalo gastar, comprava uma Fogazza e na hora que saía da cantina sempre vinha uns três caras me dando rasteira, tomando a fogazza, o dinheiro meu e dele e cuspindo na minha cara enquanto me chutavam no chão.
Graças a isso aprendi a não levar dinheiro pra escola, pedir mais dinheiro para ele e comer na cantina."


@manubarem - Lição -> cate logo um par


"Quando eu tinha 6 anos me botaram pra dançar quadrilha com uma menina porque já tinha acabado os meninos pra fazer par e daí ela era bem maior que eu e ficou apertando muito minha mao, tem até foto da minha mao se esvaindo pelos dedos dela... dói!"


@perereco - Lição -> use uma arma qualquer

"Eu era o paga-lanche da turma até a quarta série, quando um menino abriu minha mochila e meus cadernos cairam na lama. Dai eu quebrei um guarda-chuva no rosto dele e virei homem."

@camilla__l - Lição -> não bajule quem não merece

"Na peça da escola aos seis anos eu queria ser a Maria porque seria o nascimento de Jesus, mas eu era muito levada e eles escolheram uma menina loirinha chamada Lara e me deram o papel de "carneiro". Ok. No meu aniversário eu chamei a tal Lara e ela me deu um Snoop de presente eu queria muito um. Fiquei tão emocionada que dei um beijo na bochecha dela, a menina limpou, eu fiquei puta e empurrei ela de cara na parede. O clima ficou ruim e a mãe levou a menina embora. Minha mãe me levou ao banheiro e ficou falando sobre agressividade."



27/09/2011

Um pedaço de poema do Bukowski



(amor)


Já ouvi gente pretensiosamente* dizer que deixou de ler o Bukowski porque "cresceu"... invariavelmente é um idiota. Sempre li o velho e vou ler até que eu não queira mais. De qualquer maneira, há umas duas semanas que Os 25 melhores poemas de Charles Bukowski, edição bilingue da Bertrand Brasil e com tradução de Jorge Wanderley, não sai da minha bolsa. São poemas lindos: onde um certo orgulho em ser outsider esbarra na tristeza de ser outsider. Totalmente similar à concepção do inferno: vive-se o paraíso do hedonismo e queima-se no fogo das consequências. Ah... o poema, vou tungar do livro;

Vacas na Aula de Arte


bom tempo
é como
boas mulheres -
não acontece sempre
e quando acontece
não dura para sempre.
um homem é
mais estável
se ele é ruim
é mais provável
que continue assim,
ou se ele é bom
ele pode se fixar
mas a mulher
se modifica para sempre
pelos filhos
pela idade
pela dieta
pela conversação
pelo sexo
pela lua
por haver ou não haver sol
ou bom tempo.
uma mulher tem que ser ninada
para subsistir
pelo amor
onde um homem pode se tornar 
mais forte
por ser odiado 
(...)




p.s se alguém quiser o original em inglês é só pedir, abs.
p.s 2 escrevi pretenCiosamente com C. Um leitor avisou. Acho que eu sei como se escreve corretamente mas sou uma pessoa muito lerda e, às vezes, escrevo até ""mereçe"". pode ser estafa, pode ser retardo, pode ser muita coisa... peço desculpas.

20/09/2011

Comida, genitália, tristeza e pageviews


comida y erotismo, não sei o artista, ;-(


Uma das frases babacas que gosto de repetir é "a humanidade não deu certo". Eu também não dei certo, mas devo desistir de mim? Não. E nem da humanidade. Às vezes me pego um dia inteiro impressionada demais com determinados assuntos e assim aconteceu quando vi um vídeo que rodou na internet com toda uma carga de tristeza e perdição de uma moça, de uns 19 anos, que ensinava a fazer um sanduíche de buceta.

No vídeo, a garota passava os ingredientes de um sanduíche no órgão genital e se masturbava, depois comia o sanduíche. Um atitude mequetrefe de ousadia, ela falhou e ficou tudo muito deprimente. O pessoal do trabalho chamou atenção e fui ver. Vi também que quem divulgou foi um blogueiro que recebeu prêmios nesses encontros de internet e que vende muito espaço para anunciantes em seu blog.

Só uma explicação porque ninguém é obrigado a saber

Há blogs de humor que vivem de garimpar vídeos, brigas de celebridades, placas engraçadas, essas coisas que geram muito acesso a um site e, consequentemente, anúncios. Pessoas  vivem disso, inclusive. A ideia, na linguagem da internet, é "viralizar" um determinado conteúdo não produzido por esses blogueiros profissionais,  probloggers.


O blogueiro que divulgou já foi premiado nesses encontros e tem muitas vizualizações por mês. O site dele é tem um target amplo que vai desde o moleque que chega da escola e vai ver qual o vídeo engraçado até o tiozão que compartilha "tosqueira" com o pessoal da firma. Gente normal que só quer rir um pouco. Por algum motivo, na madrugada, o rapaz esquecendo completamente do horário em que o vídeo reverberaria, do target dele, dos anunciantes, enfim, num lapso de memória ele colocou o sanduíche de buceta no ar e incentivou aos seus milhares de seguidores a mantê-lo no topo dos assuntos mais comentados do twitter... 

Parei com o eufemismo; O blogueiro queria era aumentar o número de visualizações... É o ganha pão do rapaz, respeite-se o fato de ele jogar um vídeo de uma garota se masturbando e elaborando um sanduíche em suas partes íntimas porque'"é para gerar visualizações e ser mais um case de sucesso pra ele apresentar pros anunciantes e" ... ESPERA!

 É muito engraçado rir de uma menina seminua e meio pirada que fez um vídeo pornográfico de livre vontade, não é mesmo? Chama os amigos, espalha pros milhares de seguidores, faça paródia, ria, ria e ria. "kkk"  "ahuahua". Esculhambe com a vida dela, afinal é mais uma desconhecida que gravou o vídeo porque quis, que se dane se ela tem pai, mãe, se tem... problema deles "que não criaram direito". Ela gravou o vídeo não gravou? Então vamos compartilhar e rir. Tem um monte de vídeo de gringa e todos riem...


Só uma coisa.

Que mundo de merda...

É essa gente que as pessoas estão premiando, que viajam como convidados pra eventos, são os grandes blogs de humor. É esse cara  que não se preocupou em vilipendiar uma mulher pra ter acessos no blog dele com o objetivo final de ganhar dinheiro. Ainda que ela pedisse "coloca o meu vídeo no ar" ele não poderia fazer. Não? Não. O blog dele não é pornográfico para oferecer esse conteúdo. Ele tem um impacto forte sobre o twitter, nunca, reafirmo, nunca poderia ter vindo dele esse vídeo. A questão é essa: dinheiro.

Me pergunto se as pessoas perderam a sensibilidade, se a euforia do impacto em ver um conteúdo e exclamar "gente eu nunca achei que fosse ver uma coisa dessas!" anestesia as pessoas de tal maneira que elas se tornam insensíveis. Incapazes de parar e pensar na falta de dignidade a qual a garota se submeteu e ter algum - qualquer um - sentimento para preservar ela ou mesmo os seus próprios seguidores.  Que nada.

Você pode argumentar: tem muita putaria na internet. Sim, tem muita, no entanto elas estão em seus respectivos sites. Não são para ser jogadas em uma rede social onde há estudantes, nichos de profissionais, ativistas... e babacas, muitos babacas. Preserve os babacas do lixo para que eles não fiquem ainda pior. DICA IMPORTANTE.

Horas depois o blogueiro estava num evento com gente da televisão, rindo, na maior felicidade. Enquanto no Rio, uma garota que antes se achava de atitude, corria para apagar todo seus vestígios na internet e sabe-se lá o que ela pode fazer a ela própria, não é do tipo que tem muito a perder. Como diria Kurt Vonnegut, coisas da vida... Mas nada que abale o alto número de pageviews.

*eu não tenho nada contra probloggers, não digo isso por chapa branca, mas cada um ganha a vida como lhe convém e eu respeito demais essa liberdade.

25/07/2011

Todo um engodo em torno do cume de afrodite


Zéfiro


Gosto muito de sexo. Exagero mesmo: pra mim é algo que está diretamente conectado com o que poderia ser chamado de alma -qualquer coisa que esteja entre minha cabeça e o céu. Tem emoção demais no sexo, é um momento onde o corpo está exposto, onde você tem uma oportunidadade de ser absolutamente sincero. Eu aproveito. Não tem a ver com obrigatoriedade de amor ou compromisso, é uma questão de conexão - se houver amor só melhora- : as pernas abrem naturalmente, o quadril mexe involuntário, seu corpo faz um S, em resumo, você quer dar e depois as suas coxas tremem. Não tem essas firulas de revistas femininas como "ponto G" "orgasmo" e demais balelas, um homem esteve dentro de você e mexeu dentro de você que fez o possível para que ele entrasse mais e mais e quando ele não aguentou, ele gozou, os dois gozaram - alegria.

 Acredito que essa conexão não aconteça constantemente, ao menos para mim.Acho emocionante gozar. Acharei sempre. Já saíram lágrimas quando cheguei ao que chamam de ápice de Afrodite - acabei de inventar essa, mas não lembra um desses nomes bregas de psicanálise?

Não me parece correto impor minhas condições e ultrapassar a liberdade indivual alheia, mas convém identificar os engodos. Eu identifico os meus, Deus ou sei lá...o diabo..(?) Talvez ambos me deram essa vontade de observar a queda livre das pessoas.

Aparentemente o sexo está em voga como uma forçação de barra para ser uma atividade mais próxima da orgânica - assim como evacuar, a atividade sexual pode ser encarada por algumas pessoas como necessidade. Tenho a impressão de que essa gente tem tentado subtrair as emoções que estão ligadas ao sexo para provar a elas mesmas que "aquilo ali não é nada demais". O resultado é uma dicotomia de ideias. E, infelizmente - sempre fora do grupo - com nenhuma delas me identifico. Porque me parece que em muitos casos não há emoção, apenas tentativas de encobrir frustraçoes sexuais e baixa autoestima tratando o sexo como algo regular e menos importante. As páginas lacradas e débeis das revistas femininas que querem te ensinar a pegar em um falo de 101 maneiras e incentivam as cretinas a usarem fantasias com velas e roupas de enfermeiras... no final das contas há um exu pronto pra trepar, mas não há uma mulher. Porque a mulher que estava ali foi lapidada pelo que há de pior: a obrigatoriedade de ser bem resolvida e etc.

Além de tudo, geralmente esse pessoal é ruim de cama. 

Para mim o tempo nada significa quando você está sem encontrar um homem - ainda que em um envolvimento fulgaz - que faça com que você molhe a calcinha pela ideia ou porque sabe medir a pressão dos dedos sob a sua cintura. As páginas das revistas podem ficar lacradas eternamente. O que procuro é a conexão que vai fabricar o chamado love juice ou mesmo umas gotinhas de lágrimas. 

*****

Agora esqueçam o que eu disse e prestem atenção no que escreveu García Lorca em um dos Sonetos do Amor Obscuro

"Deixa-me com ânsia de escursos planetas, 
mas nunca me mostres a cintura fresca"

(Déjame en un ansia de oscuros planetas, pero no me ensenes tu cintura fresca)

24/07/2011

As mulheres invisíveis do Brasil


Quando Odete me contou sua vida pregressa  não identifiquei em sua narrativa nenhum sentimento aparente, embora soubesse que dentro daquela mulher houve ou ainda há um turbilhão de dor que provavelmente foi cimentada para a própria sobrevivência. Normal. Ela me contou tudo com o rosto impassível. Morando no interior do Maranhão, o marido desempregado e apaixonado por cachaça batia nela diariamente na frente dos dois filhos; Uma história comum que faz com  que essas mulheres sejam quase invisíveis, porque a vulgaridade dos fatos tornam as coisas assim. E nós passamos batidos, porque tudo tem que ser superado, porque afinal é a vida e todo mundo está atrasado demais, ocupado etc. Mas Odete...Ela largou o marido e saiu do Maranhão na década de 90 e veio para o Rio, deixando os filhos no nordeste, mas com o objetivo claro de trazê-los depois. E veio ser doméstica, sozinha, aquela história que todos conhecem, e que novamente lembro, faz com que você encontre Odete na fila do supermercado e a veja com uma cara tranquila...Normal. Porque é assim que as Odetes querem que a vida seja. É pedir muito? Parece que no Brasil, ainda é.

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Segundo os Dados do Mapa da Violência, divulgados em abril deste ano, mesmo com a Lei Maria da Penha , o Brasil não registra decréscimo na taxa de violência contra a mulher há 10 anos. Em 2008, de acordo com o estudo, foram 4.023 mortes violentas e 40% delas, dentro da casa da vítima. Ou seja, o agressor é o companheiro e o marido e muitas vezes eles são os provedores do lar o que inibe essas mulheres - além das ameaças - de saírem de casa e escaparem de virar os 40% desse estudo. 

Há no Brasil um programa da ONG Action Aid, Mulheres do Brasil, para amenizar os efeitos das vítimas de violência doméstica e mulheres em situação de extrema pobreza oferecendo uma oportunidade através da geração de renda. É um trabalho sério, a Action Aid tem mais de 39 anos e atua no mundo inteiro. Eles precisam de recursos para manter o Mulheres do Brasil, a quantia é pouca, não pesa no bolso de ninguém e quem colabora pode acompanhar como o seu dinheiro está sendo empregado.

esse é o Mulheres do Brasil, entra lá ;-) 



Ps. A Odete conseguiu trazer os filhos pro Rio e casou de novo com um cara bacana!