5 de abr de 2010

Meu cirquinho de horrores imaginário



Sabe, o anacronismo das pessoas me cansa. Não que não seja permitido ser dúbio alguma vez na vida. Eu sou o tempo todo. O Big Brother desta edição apresentou um participante Drag Queen, uma beeesha, como dizem. Fiquei feliz e fui lá ver o troço, à despeito de uma certa repugnância que tenho desse programa, bode mesmo. Não pelo formato, que é até interessante, mas pela versão global que tranforma a coisa toda numa fábricas de subcelebridades para pessoas "bonitinhas" que, caso não passassem por ali, estariam em funções como recepcionistas, promotor de eventos e mais algumas outras que rendam, ao menos, o dinheiro da "balada". Eu gostaria de produzir um Big Brother - penso no que Orwell sente no túmulo com essa merda toda -, no entanto, será que os patrocinadores gostariam do meu Big Brother? Será que o cidadão mediano gostaria do meu cirquinho de horrores? Falo do cidadão mediano, porque é ele mesmo quem assiste esse programa, a classe D e E, pelo que pesquisei informalmente, não assiste. Por exemplo, o cara da limpeza aqui do prédio costumava dizer;

- Tá louco que eu assisto aquilo. De que me importa a vida daquelas garotas lá?

No meu BBB eu colocaria uma dona-de-casa gorda e infeliz, um policial militar do Rio de Janeiro, um ex-detento, uma prostituta, uma patricinha, dois travestis, um pastor homossexual, uma ex-freira, um desenhista, uma atriz desempregada, alguém com o nariz muito grande, um cantor de reggae do Maranhão e um viciado em crack - SEM CRACK. Esses são apenas alguns personagens que me chegam à cabeça. Eu queria a real diversidade, bizarrice...enfim, a tal vida como ela é. Só que a Niely Gold não iria querer que seus shampoos lavassem a cabeça de um viciado em crack, as sandálias anatômicas talvez não combinassem nos pés dos meus travestis e, os figurinos que a produção do programa escolhe iam ficar horripilantes na minha querida dona-de-casa-gorda-imaginária. É por isso que não estou produzindo o Big Brother... não só por isso, é claro.
Quase me perco.

A história é: eu tava feliz com a ideia da beesha no programa. Mas, decepcionei. Sob a áurea imaculada da histeria de qualquer tipo de reação negativa contra homossexuais, o indivíduo se valeu das piores artimanhas para continuar no programa. A falta de palavra me chamou a atenção. Se alguém é homo ou hetero tanto faz, mas se é falso, é falso. E, a respeito disso, percebo um comportamento por vezes atrevido de muitos gays, o que é frustrante pois sou do tipo que acredito que as pessoas fazem de sua sexualidade o que bem querem e ainda, com a permissão da bíblia já que "se você amar a Deus sob todas as coisas, siga o seu livre arbítrio e seja feliz" - eu entendo assim. O atrevimento a que me refiro vem de duas situações em que me vi diretamente envolvida: A primeira, ano passado, quando a prefeitura do município de Duque de Caxias embargou Parada Gay da cidade.Disseram que, o prefeito Zito, era homofóbico. A primeira pergunta que fiz ao grupo gay que organizava o evento foi;

- Vocês pediram autorização?
- Nós avisamos.

A resposta foi essa. Ora, todos sabem, em uma cidade pequena como Caxias, um evento desse porte requer um esquema especial de trânsito e segurança. Existe todo um trâmite a ser seguido e que foi ignorado pelos participantes do evento. Entrevistei o prefeito e posteriormente avisei ao pessoal da parada que eles tinham de pedir autorização. Acabei intermedianto sem querer o troço todo, e a parada saiu. Mas o Zito, que também não é santo nem nada, foi chamado de homofóbico. Ontem no ônibus São Paulo - Rio, senta ao meu lado uma rapaz muito bonito, que, pelo jeito de falar - ao telefone - era gay. Durante vários momentos da viagem ele fez ligações de seu celular e gastou um tempo considerável em conversas na qual falava mal de fulana e sicrana. De uma forma preconceituosa: que era gordas, feias, que não sabia por que beltrano as levava aos lugares. E, por fim, que não tinha paciência com mulheres. Incrível, não? Sim, só que a antipatia dele, misoginia, na verdade, se estendeu a mim. Quando pedi licença pra ir ao banheiro do ônibus, ele deu um muxoxo. Depois me deu vontade de fazer xixi novamente e, outro muxoxo e um "que saco". Não falei nada. Quando ele desceu do ônibus na parada para o lanche resolvi ficar. Roubei, roubei mesmo, os chocolates caros que estavam no assento dele e as revistas Veja - bem a cara dele - e mais uma latinha de pastilha Valda. Quando ele voltou, de tão orgulhoso não falou nada e eu ainda tive a cara de pau de dizer.
- Nossa, chocolate dá uma sede, não é mesmo?


3 comentários:

Renata Victal disse...

Adorei sua vingança no ônibus. Um dia terei coragem pra fazer o mesmo.Ídola!!!

Luana Vignon disse...

legal vc mencionar a pessoa de nariz bem grande, pq um amigo tem uma teoria: toda pessoa nariguda gosta de sexo anal. hahahaha. in loco.

Wilame Prado disse...

Você é ótima!