24 de mai de 2010

Espírito de Troll


Enfrente os Trolls


Descobri o significado de um termo de internet: Troll. Um cara disse de mim; “Essa menina tem o espírito de Troll”. Na certa porque achou que me ofenderia. Não, eu gostei foi muito, porque sou isso aí, sem tirar nem por. Vocês podem ir até o wikipédia caçar o significado de Troll, mas vai pelo meu que é muito mais legal. Troll na verdade são seres da mitologia – norueguesa? -, pequenos demônios que se alimentam da irritação dos outros – inventei, na verdade o termo vem de “trolling for suckers” algo como “isca para otários”. Concebo como seres pequenos e verdes que enchem a paciência, ofendem e daí para ladeira abaixo. Digamos que os seres batizaram os caras que infernizam os fóruns de internet. Exemplo; um monte de gente que não trepa, discutindo como o cabo USB pode ser usado para fazer um fio terra – é fictício, ok? – todos sérios na discussão, até que surge um cara e chama todo mundo de babaca, e aconselha que os participantes da cyberdiscussão enfiem o cabo USB no cu. Por quê? Porque talvez no conceito demoníaco do Troll aquilo seja imbecil demais, em suma, o Troll não respeita o direito do próximo. E é isso que é sensacional.


Sou Troll? Por quê?


Porque talvez o maior engodo das frases feitas seja: O seu direito começa onde termina o do próximo. Balela. Isso nada tem a ver com respeito, tem a ver com propagação de senso-comum. Ninguém vive inerente a ofensas, mas talvez elas sejam necessárias para tirar um beltrano de sua inércia patética e, sendo bem Troll, impedir que ele atinja outras pessoas com idéias estúpidas, de um mundo que não existe. Propagação por preguiça – ou medo. E a quem concerne esse direito de invadir a vida das pessoas e chamá-las de babacas? Aos Trolls. Eles estão certos? O senso-comum diria que não, o bom senso também, a ética idem. Mas, pense no equilíbrio do mundo. Não há equilíbrio sem provocação, não há, principalmente, reação sem “trollagem”.


Além do que,


O sujeito que é de fato seguro de seus conceitos não se deixa abalar por provocações que ridicularizem suas ideias. Ou você é livre ou é ressentido. Não consigo desassociar uma coisa da outra. E, arrependimento não mata, nem ensina a viver como diria a frase feita. Arrependimento pode ser uma ferida que coça. E só.


Isso tudo de Troll porque...


Essa semana um amigo escritor mandou um email coletivo perguntando se alguém havia votado nele par ao prêmio tal tal tal de literatura. Ele ficou de fora da seleção do prêmio e, como contou, os jurados não vão muito com o seu focinho. Eu nem estava sabendo que havia votação, é muito raro eu ler escritores contemporâneos ainda mais os brasileiros. Tenho a impressão que esses caras estão sempre tomando muito cuidado para não ofender ninguém quando escrevem. Dessa forma, não há identificação e prefiro continuar com os americanos – já disse Reinaldo Moraes “Os americanos escrevem o que querem, afinal são americanos”. Leiam Reinaldo, aliás. Os americanos são Trolls, esse meu amigo, é Troll.


Não que a ofensa seja necessária,


Mas pode ser inevitável quando a liberdade é mais importante que dar tapinhas nas gostas e colecionar livros autografados que nunca serão lidos. Há títulos que por si só já dão um tom enjoado ao troço todo, e se o escritor é do tipo que “tira-foto-mãozinha-no-queixo”, nem deve ser considerado. Para mim funciona assim, para o meu amigo também. Ele ofendeu algumas pessoas, cujas ideias só se solidificam quando sendo as ideias de seus pares. Quem compra briga sozinho?


Um ou outro Troll, me orgulho em dizer.


Tentei não ser Troll, mas olha como o destino não quis;


Estou fora das redações. Redações viciam, o cotidiano da cidade é como o crack para quem gosta de uma vida tumultuada como eu. Tenho fins de semana no emprego novo, no entanto, o telefone não vai tocar dizendo que Dercy Gonçalves morreu e devo ir cobrir o velório. Daí um outro amigo chamou para colaborar em um jornal que ele editava há muito tempo e que voltaria com um pessoal novo etc. Fiquei feliz, fui à reunião de pauta, sugeri uma matéria louca que eles gostaram. Achei o “coletivo” muito distante da realidade jornalística, mas confiei. Pra quê? Fiz uma matéria, que ficou com a minha cara - Troll. Fiquei feliz com o resultado. No dia da festa de lançamento, levei dois amigos repórteres, olhem minha matéria;


... nunca mostrarei...


Editaram tudo. Ok, isso acontece, não é pela redução, é que deixaram minha matéria politicamente correta – em um jornal livre, vejam vocês – e o pior, meio poética. Tive vontade de vomitar, mas, já que estava na festa, pedi uma cerveja.


Isso serve para,


De uma vez por todas, eu aprender que trabalho autoral é impossível em trabalho de equipe. Principalmente as coisas que faço. E estou feliz em fazer, não pretendo mudar para textos politicamente corretos, chatos, como os que foram para o jornal.


O Troll é – e deve ser – sempre, um solitário.


8 comentários:

Dom disse...

O telefone não vai tocar dizendo que a Dercy Gonçalves morreu porque... ELA JÁ ESTÁ MORTA!
quem sabe a Hebe?

beijo!

rpallu disse...

Tá aí, uma "ética troll" (às avessas do conceito broxado de ética). E dos bogus, oq vc pensa?

Renata Victal disse...

Amei. Tb sou deste tipo. bjs

Zombie Boy disse...

Q trollzinha fofa!!!

Anna Lu disse...

Amiga, se vc não fosse troll, não te amaria tanto!!! Seja sempre muito troll!
E a matéria não ficou ruim... Só não ficou a sua cara. rs

Ricardo Siqueira disse...

Eu não sei não. Pra mim troll foi um conceito muito mudado pelo mundo politicamente correto em que vivemos.
Antigamente era um cara que REALMENTE tinha como objetivo unica e exclusivamente irritar sem necessariamente acrescentar nada. Por exemplo, um sujeito posta algo sobre, sei lá, a divisão cultural franco-flamenca da Bélgica. E alguém nos comentários diz "comi sua mãe ontem seu pinto pequeno de merda"

No Brasil, troll virou, sei lá qdo, alguém que não concorda com o blogueiro. Aí a caixa do comentários do fulano vira uma repetição de clichês e rasgação de seda. Uma merda...

Gente que aceita se expor mas não quer jogar o jogo. Outro dia um "poeta" desses de editora independente com meia duzia de livro vendido pra parente achou de bom tom "hedonista" mostrar a bunda no seu blog. E passou, veja você, uns 3 meses me chingando diariamente porque eu disse q ele tinha estrias.
Enfim...o mundo é bizarro. Inventaram a internet só pra provar isso.

T. Bolsari disse...

Bom, acho que isso que você descreveu não é ser troll! Outra coisa, "não quer que as pessoas leiam besteira na internet", então... mude de planeta!
Ah... e antes de me criticar, entenda, eu gostei (mesmo que isso não seja importante pra você, ou não te faça mais solitaria).
Abraços.

Camilla Lopes disse...

Bolsari,

fique a vontade para discordar de mim, não sou a dona do mundo e nem a filha da dona.