25 de dez de 2008

O sono natalino,minha neta que caga e Sheila meu amor

O natal transcorreu sem maiores problemas, como sempre eu dormi pouco depois da meia-noite. Natal me dá um sono terrível. Bacalhau, peru, aquela coisa toda. Devo ter uns dois centímetros a mais em casa coxa. E olhe: eu não estava muito a fim de conversa com os convidados da festa, bebi meu champagne, comi uma torta que alguém trouxe e fui dormir. Não sei o que pensei, nem o que lembrei. A verdade é que  atropelo as emoções e talvez por isso, tenha sido tomada de uma preguiça tão grande das pessoas. Ao menos é o que eu acho, por que às vezes ainda sinto um tristeza quando lembro de L.. É que fez um mês que ele morreu, o que me faz pensar em quantas pessoas muito próximas à mim vão morrer. Um coisa são os conhecidos, outra são as pessoas muito próximas. Eu considero alguém que tenha tomado café da manhã comigo, alguém muito próximo. L . tomou inúmeros cafés da manhã comigo. Ele era próximo demais. Agora, um mês depois, me sinto bem melhor. No entanto  em algumas ocasiões me pego olhando pro nada, pensando em vários “se”. Os “se” são como os tais espinhos de Mandacaru, que ouvi em uma música hoje. Nada que valha a pena, naturalmente. Você enterra a matéria, isso é o de menos, o pulso da memória é o verdadeiro fantasma.

 

Agora, vejam só, eu sou avó. A Valentina ganhou uma boneca que bebe água, arrota e caga. Isso mesmo, ela caga. E vem com uma privadinha com uma gravura de cocô e xixi. Mas dá para dar descarga. Ela fala: consegui mamãe! A Valentina deu o nome a boneca de Ana Clara. Ela viajou pra casa dos avós paternos em Recife, levou Ana Clara e a privada dela.

 

 

Já comentei sobre este livro, mas como reli pela milésima vez – e vou continuar relendo, provavelmente – preciso falar dele novamente. O livro que me inspirou a por o nome neste blog: Sheila morreu mas continua vivendo em Nova Iorque. Bem taí uma espécie de “Complexo de Portnoy” feminino. Na obra, uma garota judia, nariguda e levemente gorda tenta arrumar um marido, ao chegar aos trinta anos sem sucesso, decide se matar. O que no caso dela, torna-se extremamente atraente e cômico. O livro é um bilhete de suicídio e  talvez um dos poucos livros moderninhos que transcendem a femilidade irritante e seja direto e tosco, como poucas – inclusive eu – mulheres sabem ser. Foi escrito na década de 1970, por uma roterista de Los Angeles, Gail Parent, que nunca mais escreveu nada parecido.  Bom, o livro foi editado pela Record, em 1984 e só. Não teve segunda edição. Eu, em um feriado monótono passado em Arraial do Cabo, achei na biblioteca da minha tia avó. Li em seis horas e implorei que ela me doasse o livro da Sheila, e ela recusou só porque é uma puta de uma chata. De qualquer maneira, há duas semanas atrás,  fui almoçar com R.T. e ele disse  que tinha um presente. Era Sheila. De tanto eu falar ele caçou o livro e conseguiu achar em um sebo de Botafogo. Comprou e me deu. Não sei se consegui expressar o quanto sou agradecida ao R.T. pela atenção e gentileza, o presente me fez felicíssima e vale, com certeza, eu depositar um trecho da obra:  tosca, sincera e humana... assim como eu.

“Não fazem idéia de como me senti bem quando tomei a decisão. Sei que é estranho, mas senti-me saudável. Não sabem que alívio é livrar-se do Dr. Stillman e sua direta de água, dar adeus ao Dr. Atkins e sua dieta de baixos carboidratos.É verdade, ajudam a perder peso. Sim senhor, a primeira coisa que fiz quando decidi me matar, foi parar de fazer dieta. Que cavem um buraco maior.”

Não vou contar se Sheila morre ou não no final. Mas se alguém perguntar posso ir contando aos poucos.

5 comentários:

fabiana vajman disse...

Parabéns pela netinha!
Beijos

Dom disse...

Philip Roth é massa! e o complexo de portnoy é um dos livros mais incriveis que eu ja li.
queria era ter uma macaca daquela, ô se queria...

Coral disse...

Não! Por favor não conte. Quem sabe também encontro um num sebo de Botafogo.
Em Algum Lugar do Tempo.

Chico disse...

Pra te provar que eu sou normaaaaallll. ;)
FEliz 2MILINOVE
Beijão
Vai ser melhor, se cuida e qualquer coisa me escreve!!!

Pedro Pellegrino disse...

Olá, Camilla,não entendi, qual é o nome do livro?