31 de ago. de 2007

Saudade dos Easy Riders da Roosevelt


Sinto falta dos amigos de São Paulo, lá você poder ser o que é realmente, porque o Rio de Janeiro é careta para caraleo. Ah, vocês andam vendo muito filme nacional dos anos oitenta se pensam que aqui é desbunde. Não é, meus queridos. Nego aqui inventou de ser fino, os escritores então...puta merda. É do nível : "no-meu-site-tem-fotinha-minha-com-a-mão-no-queixo-e-baita-sorrisão-para-provar-que-venci-na-vida". A vontade que dá e reunir eles e dizer;


"Vem cá gente, vem cá que eu tenho um segredo, junta todo mundo aqui ó."


e por final dizer o que os levaria a morte;



"Pirú."

Fragmentos do primeiro trabalho que joguei fora



Segue um pedaço do meu romance, o primeiro que eu começei a escrever em janeiro e que joguei fora como todo o resto do que eu faço. Faz parte do processo. Mas hoje relendo, eu acho engraçado o meu desespero por um enredo.


Pau pequeno anyway
cap.6

A tal modelo, Luna Abatti gostava mesmo da cara dela, havia retratos da mulher por toda a sala. Durante duas horas ela me tratou com desdém. A loura má, seu nome era Luciana, ex - miss e sabe -se lá o que ela foi fazer na Itália. Luna poderia enganar Gravataí, mas eu, ah...Eu morava em Copacabana! Ela achou que faria uma entrada triunfal descendo as escadas, eu virei o olhar para a janela e fiz questão de não ser platéia das suas pernas naquele vestido decotado. Disse que deveríamos subir e sentar na varanda de cima e começou a falar - disparou como o cantor de sucesso que quinze anos depois canta a musica que o fez estourar nas paradas, essas coisas de repertório. E no meio disso tudo, ela falava do marido Giulio Abatti, o italiano. Mostou a foto: era careca, e eu tava o meu focinho a tapa se ele não tinha o pau pequeno. Pau pequeno anyway...
"Você pode me dar água?"

Luna respondeu qualquer coisa como; "A empregada está lá embaixo..." e mudou de assunto, que se fodesse a minha sede. Continuei a perguntar sobre a casa dela em Milão, sobre as grifes preferidas e um monte de outras merdas que juntas formavam aquele ser maldoso. Eu senti o cheiro da maldade vindo dela, o cheiro da sacanagem, da tripudiação. Pensei em enquanto olhava para aquelas lentes de um falso azul turquesa, qual era a vantagem nisso tudo. O conforto e o luxo, mas Giulio - eu nunca me engano - tinha o pau pequeno. Ela de fato queria que eu demostrasse ser uma honra estar perto dela, porque aquela cidade repetia o seu nome em exaustão, como se ela tivesse feito alguma outra coisa senão abrir as pernas em outro lugar mais rentável que Gravataí. Quem seria ela em Copacabana? Apenas uma entre várias. Qual é a vantagem em não poder trepar de quatro? Homens de pau pequeno não conseguem comer uma mulher, de quatro. Nem em pé.
A última coisa que Luna me disse foi:

"Nunca conheci alguém que soubesse tão pouco de mim quanto você. Mas de onde foi que você saiu?"

Eu saí de onde nunca deveria ter saído. Saí da segurança do apartamento, da minha poltrona, do meu canal de televendas e dos dias e das noites que tanto fazem. Eu saí da minha parcimônia. Só vim para essa cidade na esperança de ver estrelas... Vi coisa melhor horas depois enquanto editava a entrevista, resolvi pesquisar sobre Luna e joguei seu nome no mundo virtual. Um site de fotonovela italiano chamado "Amore" para casais heterossexuais, cada história um clique. E para a minha felicidade, em uma das sujestões de clique, a foto de Luna com uma tarja no peito nu que dizia: "Clicca sul mio topless*" e convidavava o leitor a conhecer a história de Gabriela, uma "braziliana" de férias na praia da Senigália que conhecia um turista enquanto fazia topless e bronzeva seu corpo, faziam "amore" em uma cabana. Claro que ela fazia um boquete nele e em uma das fotos o homem pauzudo, ejaculava nos peitos bronzeados graças ao topless.
Indiquei o site no fim da matéria com o propósito de que os leitores da cidade conhecessem os trabalhos de Luna na Itália. Munida de senhas, lá estava a matéria de Luna no ar de Gravataí. Eu poderia, se caso houvesse em mim uma sensibilidade, ter me magoado com o tratamento hostil e gratuito que recebi da loira - engodo. Mas como se de alguma forma eu antevisse, usei a melhor das armas para um cínico - coisa que nunca fui - me fiz de boçal para de alguma forma me vingar depois. A vaidade na lama, quem não tem nada, nunca terá e o que se pode comprar serve para apenas para enfeite. Bibelôs dos soldadinhos infernais.
Fui embora com Catarina, não contei o que eu fiz, mas de alguma forma ela iria saber. O melhor de tudo, era ver que agora a minha vida não andava sozinha em rotinas impostas para o desvio da loucura. Agora eu tinha o controle, eu me vingava, eu viajava e caminhava mais perto da maldade do que do marasmo e isso indicava estar cada dia mais perto da felicidade - sem grill e sem os canais de televendas.







29 de ago. de 2007

Um começo jogado para sempre no lixo...


Eu já joguei dois livros incompletos no lixo, um de contos inteiro e o outro, um romance quando estava pela metade, acho que eles têm o seu valor, mas não eram grande coisa. De qualquer maneira eu não mostrei para ninguém. É mais seguro, não? Isso tudo é porque temos medo dos outros. Eu por exemplo, morro de medo que se empolguem tão pouco com o que eu talvez venha a fazer, assim como eu. Eu me preparo para que falem mal, o bem, o afetuoso, só me emocionam, porque sempre são surpreendentes. É melhor assim, você demonstra mais gratidão e aí, enfim tudo vale a pena...Esse papo tá muito 'fim de ano", confraternização de escritório em rodízio de pizzas com direito ao cantor entoando "andanças", mas é sincero.
Ontem eu ouvi,
"Nossa você é uma das pessoas mais tranquilas que eu conheço"
ahahahaahahahaahahaha
agora eu tô atrasada.
tchau

27 de ago. de 2007

Correio das Artes

Sonhos de creme, fuga da minha Bastilha e as roupas T-PLUS

O Correio das Artes é um suplemento literário com mais de cinqüenta anos do estado da Paraíba. Esse mês o Linaldo Guedes, gentilmente publicou um conto meu lá no jornal. A versão impressa ainda não chegou pra mim, mas o Linaldo cola os textos no blog do Correio que está aí ao lado. Vai lá e vê se gosta. Só não vale me xingar depois.

Nós


Eu escrevi: achei você fofo hoje, de onde surgiu essa alegria toda?
um beijo

Ele respondeu: lembrava da gente na praia,Cacá ...
Ah, Copacabana... ( a propósito; a novela tá boa,né?)
beijos,saudades,dry martinis pra você,
M.M
Ê meu pai, como diria Raimundo Fagner, "tenho um coração que é escravo da ternura".

Ninguém come, ninguém come!




Eu não sei o que aconteceu, mas os meus amigos pararam de comer. Sei que eu deveria parar também, mas comida é felicidade pra mim. Eu não estaria aqui falando sobre isso se não fosse um motivo de cunho e peso pertinentes demais a ponto de me fazer pensar nisso constantemente. Um amigo, fotógrafo - curiosamente heterossexual para dizer um troço desses -, disse;
"Comer envelhece, por isso como pouco."
Outra, uma amiga da faculdade. Fui ao trabalho dela e perguntei;
"Cadê a fulana?"
A secretária apontou.
"Não, imagina, aquela não é a fulana"
Até que ela se levantou e veio falar comigo. A menina está feia de tão magra, perdeu as bochechinhas rosadas e me parece que ela é só tristeza.
E por último, uma chegada de corpo e alma, amiga de coração também parou de comer. Eu já avisei;
"Você está horrorosa, sem peito e nem bunda.O que comeu hoje?"
"Uma paçoquinha."
Aí eu entrei na paranóia: será que a teoria Malthusiana estava certa e essa indústria de diet e light quer nos convencer a comer menos porque está acabando a comida no mundo? Estaria a CIA por trás dos meus amigos anoréxicos?

O meu desejo mais secreto


Independência financeira? Sucesso profissional? Liberdade sexual? Ateísmo? É ó cacete. Tudo que eu sempre quis na vida foi ser um excelente dona de casa. Essa coisa de manter a cozinha em ordem, o jantar na hora, os lençóis cheirando a sabonete, a festa do natal, os brigadeiros enrolados, os presentinhos de casamento. As donas de casa me parecem tão seguras, que eu sinto que a probabilidade de cair um Air bus é muito maior na minha cabeça do que na delas.

23 de ago. de 2007

As primeiras raízes

Foi Denise, a prima distante que me mostrou os belos prados da heterossexualidade. E hoje, vinte e poucos anos depois, acho Denise um fracasso e eu sou chamada de fracasso por viver de tentativas...bem, eu me divirto, essa é a verdade. Em 1985 Denise levou o namorado para Arraial do Cabo, eles sim, os dois jovens, se esfregavam furtivamente em banheiros, copas, cozinhas. Uma vez ainda não havia acabado as férias, eu o vi com as mãos entre as pernas de Denise, que era bem sem graça. Eu tinha cinco anos e havia descoberto a plantação de aipim ao atrás da casa.

"Você tem que enfiar a mão na terra e puxar o aipim. O aipim é uma raiz."

Existia uma certa graça em passar o dia colhendo mandiocas, que terminaram por apodrecer. Quando é demais é inútil. Princípío não válido para as calcinhas molhadas, antes que eu me esqueça Anais Nin mentiu ao dizer que a vagina pode ficar tão úmida a ponto de manchar a roupa. Isso é uma mentira. Me apaixonei pelo namorado de Denise, o garoto alto, moreno e de peito cabeludo, uns dezenove anos. Era o Zeppelin condutor de minha felicidade quando ele chegou junto de mim no meu lugar cativo da plantacao de aipim e disse que os meus cabelos eram cor de mel ou qualquer outra besteira. Não foi isso, que me fez ter as crises de choro quando ele foi embora, por uma briga com Denise - essa sim, hoje se lava com sabonetes especificos para a acepsia vaginal e casou com um buda endinheirado, gorda, sobretudo. Foi o peito cabeludo, as batidas do coracao que ultrapassavam o couro felpudo, a voz que saia lá de dentro e eu deitada ali tinha a certeza de que era o conjunto daquele homem mais a rede da varanda o que eu queria. Fácil resolução da sexualidade. Foi assim, depois de tantos aipins jogados fora, porque eram muitos e abasteciam demais aquela casa...dessa maneira que me apaixonei pela primeira vez. E também pela primeira vez, senti que mulheres não estavam nem estariam no meu cardapio - vide Denise, vide sua vida, vide os lubrificantes vaginais.

O Joaavem Bukowski


Diálogo entre eu (mim?) e o Miguel do Rosário, todo mundo loco.


Miguel: Por que o Bukowski publicou a obra prima dele, Misto - Quente, aos 63 anos. Mas o Bukowski... ele sempre se conservou... jovem... ele era JOAVEM!


Eu: É verdade... tem disso mesmo...


Miguel: Ele era um cara, que alem de outras coisas era... era... JOAVEMM


Eu: Fala isso de novo. Vamos lá o Bukowski era?


Miguel: JOAVEMM, ELE ERA JOAVEMMM!

17 de ago. de 2007

Os presidiários da Tailândia...

Acho digno qualquer inciativa nas prisões. A direção de um presídio Tailandês instituiu a dança como atividade regular e desde então parece que os caras andam mais calmos, e até mesmo a formação de gangues diminuiu. Toques : prestem atenção no carinha que faz a "namorada do Michael" e no prórprio "Michael", eles arrasam.

A minha grande inveja do Marcelo é uma carta que ele tem de um leitor de um presídio de segurança máxima. Agora a pergunta: e em Bangú, o que eles poderiam dançar? Thriller mesmo?

Travas


Vou entrevistar uma travesti e fazer uma matéria para a revista Mirroir da Priscila. Como todos sabem eu adoro o universo travesti e sem a menor dúvida o texto vai ficar "um brinco".

16 de ago. de 2007

O lugar certo da liberdade



Você acaba de ouvir uma resposta mal humorada daquela mulher absolutamente porca. Enquanto ela fala, você olha para os pés dela e imagina se algum homem é capaz de se aventurar pelo meio das pernas da mulher. No entanto, ela é amiga de faculdade do chefe e você há de agüentar. O seu celular toca, é uma ligação à cobrar. Quem fala é sua filha de sete anos;


"Alô mãe? Eu não gosto mais do lanche que eu trouxe hoje. Posso comprar uma pizza na cantina e dizer que você paga depois?"


Você adora a voz dela, você sabe... ela é muito melhor do que você.


"Claro, pode dizer que eu autorizei. Como vão as coisas na escola?"


"Ah...todo mundo estava brigando por causa de uma figurinha que veio no meu chiclete. Então eu joguei a figurinha fora e não tem mais briga. Eu fiz certo, mãe?"


"Como sempre, você arrasa."


Ela injeta ânimo no seu dia. Ela é conciliadora e justa. Você é irritada, preconceituosa e impaciente. No fundo, você até sabe que se as coisas fossem do seu jeito, o mundo seria mais honesto. Você age como um "Cândido ao avesso", mas ninguém sabe disso, além de você é claro.


O seu almoço é macarrão instantâneo light, devido ao fato da sua verba ser apenas R$ 3,50. A Porca foi a uma churrascaria, ela tem ticket alimentação. É comum os casos de pessoas que pegam bactérias no alface servido nessas churrascarias do Centro da cidade. E de coração você deseja que a Porca pegue uma bactéria ou com sorte uma Solitária que estava escondida naquela costelinha que ela comeu com a mão.


Quando você volta ao trabalho, tem que interromper o que está fazendo, para na maior falsidade ouvir a revisora lésbica contar que levará a namorada para o show da Ana Carolina. Ela comprou ingressos para ficar bem pertinho do palco e você imagina a seguinte cena: as duas abraçadas, balançando pra cá e pra lá, fazendo aquela onda de acender o isqueiro quando desligam as luzes. Nessa hora do seu pensamento você vai mais além... você está apenas pensando e está livre para imaginar que a labareda do isqueiro avançe para o cabelo das duas, engate em um fio e exploda a Ana Carolina bem na hora do "É isso aí".


Você está livre dentro de si, isso amolece os músculos do seu rosto e facilita um sorriso falsificado. Pronto, você está acima de qualque suspeita. E enfim você poderá recolocar o seu fone de ouvido e ouvir o Bowie na melhor parte;


I wanna be heroe...just for one day

11 de ago. de 2007

Nada como ter amigos talentosos

Eu pedi e ele fez um desenho baseado na minha foto. Além do talento, o Emerson é de uma doçura só, e é bem bonito também. Ah... e ele escreve, o blog está aí ao lado. Obrigada Wiscow - se fala "Viscóf".

Todos juntos






O Miguel sempre fala coisas que sintetizam pensamentos de uma vida inteira. Não sei como ele consegue, mas certas palavras dele mudam direções e isso é ótimo. São amigos. Por falar nisso, a Priscila e a Maria têm um blog de poesia. É a imensidão das duas, e isso me vale pular os meus preconceitos poéticos e ler sempre que posso.


http://transatlantico22.blogspot.com/

Valentina



Hoje ela faz 7 anos, minha garotinha da praia. Mamãe ama você, Chinchila.

Eu não sou macaco


Achei por um real em um sebo. É a escritora cubana que vive na França, Virginie Lou. Uma garota de uns 13 anos tem sua calcinha abaixada por um colega de turma gordo e se sente humilhada como o macaco do zoológico quando coça a bunda e os visitantes apontam morrendo de rir. É literatura juvenil, mas é cínico, inteligente e nem tão ingênuo assim. Já vi umas figuras tentando escrever desse jeito... mas ó, sem querer ser chata, elas vão ter que virar Inhame e nascer de novo.


"...Fale um pouco, só uma palavra. Ela pede. Não respondo. Não posso dizer a ela que as palavras não passam da garganta, que não quero fazer o menor gesto, porque estou economizando minhas forças para o dia em que vou matar o gordo Didier e seu colega Xavier, que acha que é Rambo."

Virginie Lou

10 de ago. de 2007

Saint Barbara







Tenho uma medalha mexicana que nunca tiro, onde se pode ler: Saint Barbara prayer for us. Já tentaram me roubar duas vezes em menos de dois meses. às vezes eu tenho a impressão que não sou bem quista. hum...

8 de ago. de 2007

Por quê escrever um livro, Camilla Lopes?







Tem uma coisa, eu estava pensando ontem quando fui comprar um livro - porque na maravilhosa biblioteca da faculdade, estou proibida de pegar livros. Mas também eles querem que eu leia "Os Desgarrados" do Faulkner em uma semana e ainda fique carregando o livro até lá pra renovar a locação! Não dá, não dá - ah...não foi ontem, foi segunda...Enfim, eu pensava: por quê eu escrevo, afinal? Por quê eu quero escrever um livro?


Eu comprei "As cores da infâmia", do Albert Cossery...bem, ele era amigo do Camus e o Henry Miller era fã dele. As referências são boas e logo no primeiro capítulo surgem imediatamente grandes descrições das multidões pobres que vagueiam pela cidade do Cairo, Egito.


ENTÃO EU QUERO ESCREVER UM LIVRO POR QUÊ?


O Paulo F. fez um curta em que um cara dizia:


"Escrevemos porque queremos ser amados."


Essa é a verdade, óbvio. Quando você topar com um sujeito que te diga uma meleca dessas:


"Ah, eu escrevo para as massas, para incentivar a leitura, para que a cultura brasileira cresça e blá e blá e blá..."


Conselho meu: não saia para beber com esse cidadão. Ele está mentindo. Esse papo "Darcy Ribeiro" é furada. A verdade é a vaidade. No meu caso...é displiscência, eu já poderia ter escrito um, dois, três livros ( a qualidade deles não interessa, no entando eu tenho material pra isso). Eu pagaria por eles se fosse o caso, eu trabalho, sem problemas. Também não tenho visão romântica da coisa, eu namoro um cara que tem uns sete livros publicados e vive reclamando - ah vá...ele reclamaria de qualquer jeito.


E nem espero que fiquem me elogiando, até porque eu não sei - de coração - lidar com essas coisas. As pessoas esperam muito quando lêem um texto nosso... e... vamos combinar? Sou sem noção total, meu negócio é me divertir. Seriedade intelectual é o cu da perua e eu ando esbarrando em paredes, em resumo, me comporto mal. Pessoalmente, sou um fiasco.

Acho que se eu lançasse um livro, o que estou escrevendo agora, teria ótimos leitores e é exatamente eles que eu quero. Se essas pessoas chegassem pra mim e sei lá...elogiassem, eu me sentiria bem confortável, ia adorar. Senhoras e senhores, sinto informar, mas são esses que valem. Se vocês não perceberam, o Brasil não é um país de leitores... Até é... Vamos pegar o caso da minha prima Aline: advogada, minha idade, curte micaretas e segundo ela, adora ler. Toda vez que nos encontramos na casa de praia ela chega e fala;


"Ah Camilla, estou lendo um livro ótimo. Você, que curte ler ia adorar..."


"Ah é mesmo, qual?"


"Anjos e Demônios, do Dan Brown"


Ou então...


"Fantasmam, da Danielle Steel."


Best sellers, entenderam? Acho que você tem que saber pra quem vai escrever, e se essas pessoas que seguem abaixo, gostassem do meu livro...


Mamãe

Rafael

Marcelo

Prisicla & Miguel

Pierre

Luana

Carola

Emerson

Nilo

Fernanda

Mário

Jarbas

Maick

Os amigos da Paraíba (Linaldo e Amanda);

A Odete - a depiladora que é fã do Nelson Rodrigues e diz que adora os meus textos;

O pessoal do trabalho - são cinco pessoas;

Os amigos de Recife;

O Bruno e a Vanessa, meus inseparáveis amigos da faculdade;

As bichas todas;


...para mim já seria mega - sena.
Eu não sou nada mais do que isso.



6 de ago. de 2007

Bêbados...

...nunca tiram fotos que sirvam. Única foto minha na lounge da boite, toda etílica. Sexta passada.

5 de ago. de 2007

A hora de dizer Tchau;

A gente combinou que ia se dividir de vez, dessa vez e mais uma vez. Combinamos também que nós dois não temos mesmo vez nenhuma, que é impossível, impraticável;
"Penso em você o tempo inteiro"
"Eu também."
E desligo o telefone, quem sabe ler um pouco de jornal? Mas o suplemento literário me dá enjôo de tão chatinho que é, gente enjoada, diz que são as revelações da literatura... sei...Mas não foram eleitos por mim, ok? O mundo é definitivamente chato porque as pessoas estão sempre pisando em ovos. São essas atitudes que fazem os homens ficarem broxa. Estou falando de pisar em ovos, é claro.
Uma perua que, infelizmente, não teve o que quis, é karma. Li um livro sobre o xogunato japonês que dizia basicamente para aceitar o karma, ou se matar. Mas, veja bem, eu sou mãe e não tenho vontade de me matar porque eu poderia...sei lá...sobreviver e ter sequelas físicas além de encarar a família. Não, não...vou ficar aqui, no Rio de Janeiro.
Só quero ver no que vai dar.

4 de ago. de 2007

Eu que não gosto de nada

Adorei os textos dessa moça,


" Eu que já fui salamandra provocando o fogo, acordei com a súbita sensação de sentimentos esvaziados e emoções no exílio. Uma pétala arrancada sob anestesia, sem o perfume dos botões que querem se transformar em flor."

Célia Musilli


Simples, elegante e lindo.

Qual das três opções?


O que será que o Marcelo está pensando escondido atrás da minha bebida?
a) Porra, como eu vou pagar essa conta?
b) Por que ela bebe tanto?
c) Por que eu não volto a morar na Praia do Santinho?
d)Por que eu comi azeite de dendê?
e) Por que me boicotam?





Buatchy!

Quando se está em uma fase da vida tensa, duranga, o namorado longe (se é que ainda é namorado, vá saber...), gente doente na família, enfim...cagada! Existe sempre os amigos gays de todo o dia. Não há nada melhor que o celular tocar na sexta - feira com aquela voz engraçada do outro lado;
"Oi traveca, tô sabendo que a senhora está toda fo-di-da!"
"De corpo e alma, viado. Qualé a boua hoje?"
"Buatchy, o nome da senhora na porta, bebida liberada, tenho bec e vou passar aí e te levar para pintar essas unhas de vermelho, eu pago."
Adoro. Porque um amigo bicha vale mais do que dez mulheres enchendo o saco!

3 de ago. de 2007

Pree and me






A Priscila e o Miguel estão voltando ao Rio. Ainda bem. Esta foto, nós tiramos em Sta Teresa e a gente estava legal das idéias, morrendo de rir com uma figura que pegamos para cristo. Passei a foto para p&b, em uma tentativa de disfarçar a coisa toda.

Tudo na vida...









"Você é uma retardada, leio seu blog só para constatar isso"
...Depende do ponto de vista, não é mesmo senhoras e senhores?

Ah Saravá...

"Tudo de novo. A vida é um troço chato na maior parte do tempo. Emprego, família, sociedade; Pra que serve isso mesmo? Eu não perdi o emprego como esperava, as coisas ficam ruins por caminhos estranhos. Eu devia estar alegre? Eu estou me acostumando e isso é um mau sinal."


Essa tal de Luana Vignon tem uma vida muito parecida com a minha, tá doido...

2 de ago. de 2007

Ode às menininhas chatas


O filme preferido de Zix (Zulmira) era qualquer coisa de Amélie Poulain

A trilha de sua vida: Björk

Os cabelos tipo Pin up,

beijava as amigas na boca

Não ia a praia

tatuagem de cerejinha,

botas pretas, de couro vegetal

Clarice Lispector na estante

Dava sempre na primeira noite,

e tirava fotos "fofas",performáticas

Era amiga do tatuador,

do DJ,

do professor de programação visual

Ainda lembro,

de como Björk esganava uma canção, alegre como a Islândia!

No dia em que atirei em Zix...

na cabeça.



Isso aí é para a revista de uma amiga, que nem sonha que eu tenho blog. Não pensando em nada, e nem um terço de poesia na minha veia por cima das carnes ventosa - medusa dos infernos - pensei em homenagear as menininhas chatinhas que habitam o eixo Rio-São Paulo.

Em algumas ocasiões...


...é preciso baixar a guarda e assumir: foda-se tô toda cagada mermo!

Ilha de Marajó



Tive um sonho estranho e bom: sonhei que ia para a Ilha de Marajó no extremo Norte do País, lá mesmo onde tem um monte de búfalos. E foi tão real, tudo era barato lá e quente, sem falar da água morninha... preciso de férias.

Revista Lasanha



Eu e uma pá de gente. Clica lá que o link tá aí do lado.

1 de ago. de 2007

O tempo depois do prelúdio do fim





Na sala ao lado da nossa, estava uma mulher que mais parecia ter saído de um show em Las Vegas: peruca loira chanel, botas branca e um conjunto jeans repleto de apliques brilhantes, o filho era o seu acompanhante. Cada pessoa tem direito a um acompanhante e como eu só fui para ver como era, tive de alternar com a minha mãe. A clínica para cancerígenos abastados fica em cima de um shopping, de modo que, os esses cancerígenos têm toda a infra-estrutura que os cancerígenos freqüentadores do INCA da Pça da Cruz Vermelha, não têm. A vida é assim, de fato, não fui eu e nem você quem fez as regras. Aliás, quem as fez, são os tais que se encontram escondidos nas teorias da conspiração - onde o governo injeta tratamentos ruins em pessoas com câncer por elas serem improdutivas economicamente falando. Vai saber... Sou o tipo da pessoa que prefere nem pensar nisso, por ser ou impossível de resolver ou doloroso demais.
O nome da mulher era Sílvia, era não... É. Até segunda ordem do seu câncer de mama, ela é Sílvia. A Sílvia que fala ao telefone enquanto faz quimioterapia, dá bronca no filho que a acompanha – e que comia um Mac lanche e trabalhava com o notebook - e ainda tenta talvez pela cumplicidade, roubar um olhar do meu pai, que não notou a sua presença, não sei como, mas não notou. Semana passada minha mãe disse que a Sílvia estava lá, mas pode ser que na próxima ela não esteja. E não há nenhuma teoria da conspiração nisso.
*********


Pode -se comer, ver televisão, DVD´S o que quiser enquanto injetam a droga nas suas veias. Algumas pessoas têm cabelo, outras não e o resto esconde com peruca, gorros e chapéus. Na saleta de espera é comum ouvir esse tipo de conversa:

“Mas você tem de quê?”

“Fígado e você?”

“Próstata”.

Não há, especificamente tristeza, isso não vi em hora nenhuma. Existe sim, uma espécie de praticidade em resolver o problema. É simples: todo mundo sabe que vai morrer, só que algumas pessoas descobrem mais ou menos quando vai ser. Não é nenhuma tragédia...Dizem que a gente nasce para morrer... No caso dos doentes de doenças incuráveis, é como se no meio da história toda, alguém chegasse e dissesse:

“Olha só, é bom você se apressar porque teu fim está chegando daqui a pouco”.